quinta-feira, 10 de abril de 2014

Letras de Quinta feira...

Infanticídio

Não tinha frio, nem calor.
Não era cedo, nem tarde.
Não tinha hora.

Adiantado, atrasado, desejado,
nada disso conhecia.
Era só aquilo, e mais um pouco
daquilo mesmo.

Não pensava, precisava?
Não sentia, parecia?
Não sorria?

E numa dessas,
meio que de repente,
ainda que não quisesse
virou gente.



sexta-feira, 30 de março de 2012

Pai, o que é humor?

    Trotes, Rafinha Bastos, Indenizações.
JEREMIAS: Até que ponto uma piada ainda é piada?
OLAVO: Até onde se inicia o direito do próximo.
    Seria fácil, se essa simplíssima resposta desse conta de uma questão destas. Entretanto, ela só aquieta os alunos do Ensino Fundamental, e talvez alguns do Ensino Médio.
J: Ora essa, aonde se inicia esse tal direito do próximo? Será mesmo que existe uma linha visível, que divide o que pode ser dito para rir, do que se é dito para destruir?; o que pode ser dito para salvar, do que pode ser dito para matar?; o que pode ser dito para defender, do que pode ser dito para submeter?.
O: A constituição. Com suas linhas rígidas, de palavras doces e livres...
J:  Que de manhã podem dizer que sim, e, de noite dizer que não?
O: Nossas mentes.
J: Num mundo dotado de tanta informação que já nem se sabe direito o que é, e o que não é, mas sempre se valoriza aquilo que parece ser?
O: Mas...
J: E esse parecer ser vomitado, tenta construir uma verdade muito nua, muito crua, dentro de uma realidade que, de maneira alguma pode ser questionada? O que é que não pode ser questionado?
O: A verdade.

O que é a verdade?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um pouco de letras para uma Quarta Feira

 A Crítica pelo prazer da Crítica.

A discórdia sempre existiu na história da humanidade. O homém, ser social que é, sempre debateu os temas que surgiam em seu cotidiano, enfrentando visões divergentes das suas, o que fez surgir sua capacidade de argumentação, que é sua arma para tentar produzir o convencimento, e, por fim, a vitória de seu interesse. Entretanto, por mais belo que soe o momento em que se convence alguém de algo, muitas vezes as relações sociais não seguem essa receita de bolo, formando uma massa obscura, e sem muita liga.
Frente esse impulso do contraditório, muitos homens acabaram colocando em jogo muito mais do que a visão sobre os objetos e fenômenos da natureza, que eram o motivo da discussão. Ao contrário, junto com a discussão do mérito, os "debatedores" passaram a se apoiar em seu orgulho, seu Ego. Não aceitar a opinião de alguém passou a ser não mais um exercício da discussão, que buscaria um resultado, mas sim, um modo pelo qual os homens colocam a prova seu poder, e sua imagem.
Eis que surge a época em que o homem passa a não mais se convencer, frente a argumentação de outro indivíduo. Pior, ele passa a descordar, e a buscar motivos para, não mais descrever a coisa, ou o fenômeno, mas sim, motivos para sustentar que o outro esta errado, pura e simplesmente. E esse novo patamar em que chegou as relações sociais gera os resultados mais ridículos.
A Crítica pelo prazer de criticar se fundamenta nessa ideia de que se é superior quando se discorda, e inferior quando concorda. A idéia de se está contra alguém, faz a pessoa massagear seu ego de maneira contumaz, e manter essa ideia de discórdia passa a ser o principal objetivo das conversas.
Mas como sustentar críticas pelas críticas? É ai que trabalha o cérebro humano, em sua infinita curiosidade. Elaboramos motivos diversos, e nos fundamentamos neles, se esquecendo do objeto real da discussão. Dai que se entra na "falácia ad persona", ou na crítica pela orientação ideológica, ou pior, na crítica fundada nos vínculos que o interlocutor tem.
E é por isso que nunca conseguimos sair do lugar, ou concretizar grandes feitos. Enquanto o homem não souber que o alvo de seu pensamento não é seu interlocutor, mas o objeto, o evento, o aspecto, o objetivo da conversa, ele vai continuar falando para surdos.
Um pouco de letras para uma Quarta Feira.

Ruy Barrros.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A semana passada...

A semana passada foi marcada por uma atrocidade, um evento totalmente desprovido de qualquer racionalidade. Um massacre do pior tipo, que atentou contra seres humanos em sua mais tenra infância. Jovens, que teriam vidas inteiras pela frente, assassinados de maneira fria, bruta, como se personagens de uma aventura eletrônica fossem. Não admiram rosas aparecendo no MSN, mensagens de solidariedade por todos os meios e redes sociais possíveis, declarações de personalidades. A atrocidade faz isso, gera em nós, pessoas aparentemente racionais, a raiva, a revolta.
 Mas a morte não volta com uma frase no facebook. Não tem respawn na vida real. O que fazer então para não mais acontecerem atrocidades deste tipo? Fechar as escolas com mais meios de proteção que presídios de segurança máxima? Porque não ter aula numa ilha isolada no pacífico? Armar os professores e treiná-los para abater quaisquer ameaças que possam aparecer? O que os diferenciaria de carcereiros? Proibir videogames que incitam a violência? Até que ponto o cidadão acha mesmo estar jogando?
Todas as mídias falaram algo sobre o assunto. Mas e então? Será que agora, depois do fantástico, o tema vai ser algum outro que vier a ser oportuno? Ou será que vamos continuar a nos preocupar com tudo que já aconteceu?
Um post tenso, para uma semana tensa.
Boa semana para todos!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Rapidinha Sobre o mundo.

Título Honoris Causa...


Nesta semana, de idas e vindas, nosso ilustre (ou nem tanto) ex-presidente, que para muitas pessoas ainda ocupa o cargo, foi homenageado, em Coimbra, Portugal, com o título de Doutor Honoris Causa da universidade de Coimbra. Assim, como muito outros estadistas já o foram, o molusco se submeteu aos rituais, e às formalidades de toda a solenidade, que fora interrompida diversas vezes, pois somos brasileiros e, por isso, gostamos de inovar. 
O título de Doutor Honoris Causa, que muitos desconhecem, é um título de tamanho prestígio, concedido a indivíduos que merecem reconhecimento acadêmico, pela contribuição com a academia, e humanista. Não gosto de definições de dicionários, mas nosso dicionário jurídico da Saraiva atesta: "Honoris Causa:
A título de honra (honorificamente). Título honorífico concedido por uma universidade a jurista insigne
Dentro deste contexto todo, preciso dizer que vou começar a adiantar a documentação da minha mudança para a UniVida. Obviamente o curso de direito que esta universidade oferece, o qual o nosso ex-presida provavelmente cursou, se tornará reconhecido internacionalmente. E o MEC fechando as portas das uniesquina... 
É só isso por hoje, um primeiro de Abril produtivo. Só para desabafar: Começa a chover bruscamente em Curitiba de todos os Santos, e minha locomoção até a UFPR é a clássica caminhada ecológica, responde logo, UniVida! Parafraseando Zé do Milho: “Eita nóis".
Ruy Barros.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Acontece no mundo


Caro Leitor, este texto faz parte de um de meus trabalhos acadêmicos deste ano de 2011. Não tem a pretensão de ser um artigo científico, mas, quando reli pela ultima vez, acreditei em sua potencial adequação ao blog (mesmo sendo formal e tudo mais). Portanto, divido com vocês algumas de minhas peripécias acadêmicas.

 As investidas da ONU na Líbia e o Direito internacional.
Recentemente, com o desenrolar das revoltas populares na Líbia, o Conselho de Segurança da ONU, na tentativa de manter a paz internacional, e o desenvolvimento digno da população civil daquele país, decretou, por meio de resolução, válida a intervenção militar em território líbio. O Direito Internacional, cujo principal expoente é a organização das nações unidas, e sua carta constituinte, neste caso permitiu que se realizasse a intervenção militar, contrariando a ideia, difundida no senso comum, de que este ramo do direito se contrapõe ao uso da força.
O objetivo do Direito Internacional, quando permite tal intervenção, não é fomentar a guerra para a satisfação de interesses econômicos das potências que nele ocupam posições de prestígio. Mas sim, como consta na totalidade da Carta das organizações unidas, e como se transcreve seu primeiro artigo, para “Manter a paz e segurança internacionais”.
A revolta na Líbia adquiriu proporções exorbitantes, assumindo características de guerra civil. A repressão por parte do governo do Ditador Muammar Kadhafi violou brutalmente os direitos humanos. Houve represálias aos profissionais do jornalismo de outros países, que documentavam a ocasião. Além do fato de que as bases governamentais executaram, sumariamente, séries de expoentes do Conselho Popular Líbio, principal organização dos rebeldes, que se manifesta por um governo democrático.
A partir do contexto, a intervenção internacional se demonstrou necessária, e se deu de maneira pacífica, na tentativa de obter uma solução diplomática entre os rebeldes, e o governo. A organização das nações unidas prioriza a solução de conflitos por meios diplomáticos, dentre eles a negociação, a mediação, a conciliação, a arbitragem, dentre outros. Essa prioridade se dá segundo uma política de soluções pacíficas, que visa às soluções que gerem menor impacto na economia global, no meio ambiente, e que ofereçam menos riscos aos direitos humanos.
Entretanto, quando improdutivas as tentativas de solução pacífica, gera-se uma tensão, por conta da ameaça a paz e segurança internacionais. Este tipo de descumprimento demanda algum tipo de sanção. A sanção no direito internacional deve se pautar única e exclusivamente na resolução do conflito. No caso da intervenção militar, ela deve objetar a anulação da situação de ofensas aos direitos humanos, e o reestabelecimento do diálogo, e da negociação, entre as partes conflitantes. Nunca se pautará pelos interesses dos autores das investidas, membros da ONU, tampouco deverão impor algum tipo de regime, ou ideologia.
No caso Líbio, conforme é expressa na resolução 1973 (2011), do Conselho de Segurança, a intervenção militar foi autorizada após tentativas de negociação, por meio de pedidos de cessar-fogo expedidos contra o governo líbio, por exemplo, que se mostraram improdutivas, e pela continuidade das ações do governo líbio, que seguiu com ataques aos rebeldes, rechaçando qualquer tipo de comunicação. Esta intervenção teria por objetivo enfraquecer as bases do governo, reduzindo assim seu aparelho repressor, e, portanto, forçando-o a se submeter a uma solução pacífica.
A partir da análise acometida, pode-se concluir, portanto, que a intervenção na Líbia não atenta contra o direito internacional, mas faz parte dele, e contribui para a realização de seu objetivo principal, a manutenção da paz e segurança internacionais.
Ruy Barros.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Esclarecimentos breves e descompromissados.

Inicialmente, um feliz 2011 ao leitor que insistiu em retornar no ruyfbarros (não mais blogando bla bla...). É notável o tempo que passou, e a ausência de conteúdo neste site. O site do ibge atualiza mais rápido que o blog. Piadas a parte, mesmo por que sou muito ruim nisso, estou repaginando isso aqui. Sim, a mudança no layout e etc. são maneiras de tentar me inspirar a voltar a escrever. Como podem ver, estou atrás de um novo header, aquela "fotinha" que fica ali em cima com o nome do Blog. No momento, vai permanecer a simplicidade do texto seco.
Aliás, falando em simplicidade, quero tornar as coisas mais simples aqui. Então, tentarei fazer posts mais frequentes, dotados de menor eloquência. Por que? Estaria eu questionando a sua capacidade cognitiva, leitor? (não pare de ler agora!) Não! Jamais faria isso com vocês. Quem sou eu para questionar alguma coisa nas pessoas! É só para me sentir mais à vontade com isso tudo, e assim dar-lhes o (des)prazer de uma certa continuidade, e periodicidade.
O nome mudou. Não é mais Ruy Barros Blogando. Agora é só ruyfbarros. Informal, e só isso. O gerúndio, por mais que não pareça, me irritava. Acho que esse é o motivo pela ausência (se estou justificando a preguiça? Sim). Não sei se esse nome vai permanecer. Acho que posso mudar quando quiser, então... sugestões serão aceitas.
Encerrando o post, quero dizer que tentarei fazer acontecer de novo. E quero também deixar aqui registrado meus sentimentos ao povo japonês. O negócio lá não é brincadeira.
A todos que esperavam um post com muito conteúdo, desculpa. Aos que estão lendo pela primeira vez, bem vindo, e acostume-se. Aos que encontraram erros de português no texto, meus parabéns.
Para não deixá-los totalmente nervosos (olha como me importo com você), uma diversãozinha:

Evidente. Todos sabemos.

Mais tarde volto com alguma coisa.


Ruy Barros.